Extraido de: http://www.cademeudorflex.com/2011/01/o-dia-em-que-tecnologia-justificou-sua.html
Eu trabalho com tecnologia e sou entusiasta dela. Pra mim é gratificante ver que a ciência, a pesquisa e o desenvolvimento de recursos tecnológicos pelo homem podem proporcionar melhores condições de vida para pessoas pobres, incluir pessoas digital e socialmente e fazer o mundo evoluir para melhores condições de existência e subsistência.
Ontem, pelo menos para mim, a existência da tecnologia foi justificada. Dona Edite é a avó da minha esposa, mas que por motivos óbvios eu já comecei a considerar e tratar como minha avó também. Como boa Vovó ela gosta de ir à Igreja e assistir novela.
Dona Edite nunca usou computador, nunca teve necessidade e nunca sentiu falta. Até o dia em que a gente mostrou um iPad a ela. A interface é simples, em questão de segundos ela estava aprendendo a abrir e fechar aplicativos. Mostramos um jogo simples, onde você arrastava o indicador na tela e bolas de baseball eram arremessadas para derrubar latas. Típico jogo de parquinho.
Dona Edite adorou a brincadeira e ficou divertindo-se com uma tecnologia touch criada recentemente. Ela que nasceu em plena grande depressão, acompanhou a 2a Guerra Mundial e viu o homem chegando à Lua.
Poucos vão enxergar a beleza que é ver uma pessoa idosa usando tecnologia de forma simples e descomplicada. Esses que não enxergam isso acham que idosos são inúteis e devem ficar escanteados e à margem da sociedade.
São os mesmos que acham que Steve Jobs é o demônio e que ferramentas open-source que só tem aplicabilidade e uso para uns poucos nerds tarados por código é que são coisa boa de verdade.
Quanto a mim, apenas fico feliz que o diabo do Steve Jobs permitiu que minha avó adotiva se divertisse como criança aos 81 anos. Se isso custou a minha alma, vou para o inferno de braços abertos.